sábado, 13 de fevereiro de 2010

O verdadeiro Polvo

Esta noite sonhei, ou por outra, tive um pesadelo, que afinal o verdadeiro Polvo estaria sediado em Aveiro e que uma Associação criminosa teria intentado contra o Estado de Direito no nosso País congeminando uma autêntica espionagem política com o objectivo de derrubar o Governo de Sócrates.
No meu sonho teria constatado a existência de uma reunião entre dois deputados do PSD, um Inspector da PJ de Aveiro, um Procurador do Círculo de Aveiro e dois Jornalistas, um do jornal o Sol e o outro da TVI. A reunião teria tido lugar porque os dois deputados do PSD teriam levantado algumas suspeições acerca da eventual interferência do 1ºMinistro José Sócrates, na compra da TVI por parte da PT, configurando esta operação um acto criminoso de atentado contra a liberdade de expressão.
Provavelmente este meu sonho poderia ter sido induzido pelo facto de o Processo Freeport ter começado com uma reunião deste tipo.
Nessa reunião o Procurador de Aveiro, perante as suspeições levantadas pelos deputados do PSD, teria esclarecido de imediato que, desta vez o caso não poderia ser despoletado através de carta anónima, uma vez que, entretanto, a lei teria sido alterada, no sentido de secundarizar esse precioso material de prova. Este caso teria, na opinião do Procurador e confirmado pelo Inspector da PJ, de se desenvolver através de escutas telefónicas, devidamente autorizadas por um Juíz de confiança, montadas a personalidades da vida pública, directores de empresas públicas, administradores nomeados pelo Estado, todos eles com ligações a Sócrates. Mais tarde ou mais cedo, é mais que certo que eles falarão ao telefone com Sócrates e que as conversas versarão, por vezes, assuntos relacionados com a temática da aquisiçao de meios de Comunicação Social e será então possível, de uma ou outra forma, arranjar alguns indícios, que, manipulados, extrapolados, cozinhados, e divulgados à opinião pública através de fugas de informação devidamente controladas e programadas, poderão conduzir à incriminação do 1ºMinistro.
Então, perguntava a jornalista da TVI, que no meu sonho não consegui reconhecer por estar sentada ao fundo da sala, mas que me pareceu que estaria com a cara um pouco inchada, mas como é que a Justiça irá conseguir colocar o telefone do 1º Ministro em escuta, sem haver uma razão objectiva para tal? O Inspector da PJ, calejado nestes assuntos de tramoias, teria então aludido ao facto do mais importante ser colocar o telefone dos amigos de Sócrates em escuta e que por arrasto o 1º Ministro também seria escutado. Quanto à fundamentação para colocar os telefones dessas entidades em escuta, continuou o Inspector,será o mais fácil de tudo, bastando para isso despoletar uma investigação a qualquer personalidade de peso da área dos negócios, com influências empresariais e políticas no seio de empresas públicas, que nós sabemos de antemão, poder encontrar provas suficientes de actos ilícitos de natureza fiscal ou outros. Aliás uma das hipoteses que nós vislumbramos neste momento para este caso é encetar uma investigação a um poderoso empresário da área da sucata que é conhecido de alguns membros do Partido Socialista com ligações a Sócrates. Esta poderá ser a via mais fácil para espionar de uma forma eficaz e segura o 1º Ministro.
Entretanto o Jornalista do jornal o Sol, que tinha estado calado todo o tempo, declarou-se de imediato disponível para fazer a divulgação de todas as escutas através do seu jornal.
Foi a vez então de um dos deputados do PSD se mostrar preocupado com o facto do que poderiam fazer as altas instâncias da Justiça, concretamente o PGR e o Presidente do Supremo, para travar este processo e responsabilizar os autores da "conspiração". Foi a vez do Procurador de Aveiro intervir para esclarecer que o PGR não manda nada nos Procuradores porque quem manda de facto é o Conselho de Procuradores e o Presidente do Sindicato. Para além disso, nós, dizia o Procurador, temos sempre a faca e o queijo na mão porque temos uma arma muito poderosa a nosso favor que é a violação do segredo de justiça e a proliferação sistemática de fugas de informação.
Entretanto acordei,eram sete da manhã, e sobressaltado com o meu sonho, virei-me para a minha mulher que entretanto acordara devido à minha agitação e movimentação de pernas durante o sono, e disse-lhe, olha..acabei de ter um pesadelo com a existência de um golpe de estado no nosso país, sem a utilização de armas.
Liguei a TSF e as notícias das sete da manhã anunciavam os principais títulos dos jornais com destaque especial para o jornal o Sol que denunciava com letras garrafais na primeira página, a existência de um Polvo no seio do Governo para controlar a Comunicação Social. A segunda notícia prendia-se com o rescaldo da apresentação do livro de crónicas da autoria de Mário Crespo numa sala a abarrotar de gente ligada ao PSD.

Um comentário:

Gil disse...

acho que os teus sonhos estão proximos da realidade.um abraço